10 abril 2006 

Download's da Internet

Ora aqui está um post que já deu que falar.

Concordo, em grande parte com este ponto de vista, e por isso o reproduzo aqui.

Não sem antes fazer a respectiva referência ao seu (do post , o qual transcrevo) "autor", assim como ao autor do texto (que infelizmente não consegui encontrar, mas aqui fica a minha homenagem).

" Quem já não ouviu isto nas noticias?

As multas poderão ir até aos 5000 euros, quem for "apanhado" a roubar músicas da Internet...

Pois bem, é altura de acalmar o pânico de milhares de pessoas e de pais preocupados com o que os filhos fazem no computador.

1º - Os chamados "processos" vão ser criados pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) e/ou pela IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica).

Neste ponto, há uma coisa que deve ser clara: nenhuma destas instituições tem autoridade para passar multas a quem quer que seja.

O objectivo (imoral) é assustar os utilizadores de Internet e levá-los a pagar uma indemnização até 5000 euros, ou será levado a tribunal.

Isto pode ser visto como chantagem, uma vez que ou pagamos, ou levamos com um processo.

Estas empresas que vão enviar as tais cartas, não estão a agir através de um processo judicial (pois seria muito dispendioso processar individualmente milhares de pessoas) mas sim através de um processo civil.

Que relevância jurídica tem isto?

Nenhuma! Simplesmente ameaçam as pessoas e metem medo.

Se alguma pagar, melhor. Se ninguém pagar, encolhem os ombros e passam ao próximo.

De facto há leis em Portugal, mas não são estas empresas que as escrevem.

2º - Onde está essa informação, e quem decide que valor é que se vai pagar?

Em Portugal só há uma maneira de obrigar as pessoas a pagar multas ou indemnizações: o tribunal! Como o Bill Gates disse: "O nosso computador é tão confidencial como a nossa conta bancária".

Sem processo em tribunal, ninguém (nem mesmo estas entidades) podem acusar, vigiar, espiar, exigir, passar multas, pedir indemnização, ter acesso ao vosso computador, ou "consultar" que downloads fazem.

3º - Para os menos entendidos, quem tem ligação à Internet, liga-se através de um IP (ex. 255.255.255.255) e mais nenhuma informação é transmitida (e atenção a isto).

Quem mantém o registo a quem pertence cada IP ligado, é apenas a empresa de Internet a quem contraram o serviço (ex. Netcabo, Cabovisão, Sapo, Clix, etc.).

Neste caso, só com um processo judicial é que a vossa informação confidencial é disponibilizada. Ou seja: receberam uma carta a pedir uma indemnização.

Muito bem, há processo judicial a decorrer em tribunal? Não? Então a carta não vale nada.

E se quiserem ir mais além, contactem o vosso fornecedor de Internet e perguntem como é que a determinada instituição obteve os vossos dados, sem autorização do tribunal.

E se ainda quiserem ir mais além, iniciem um processo contra o vosso fornecedor de Internet, ou contra a instituição que vos "ameaçou".

4º - Quem faz download de qualquer tipo de ficheiros da Internet (seja musica, filmes, fotografias) é apelidado de "pirata informático" pela comunicação social.

Mas há uma grande diferença entre fazer download e desfrutar desse mesmo download no conforto da vossa casa, e de fazer download de filmes e música e ir vender para a feira da ladra, ou qualquer outro local.

Quem lucra com estes negócios de downloads para vender posteriormente, é que deve ser apelidado de pirata informático.

Ou será que quando se gravava as telenovelas e os filmes da televisão em cassetes, também era chamado de pirata da televisão?

É exactamente a mesma coisa.

Em vez de copiarem da televisão, copiam da Internet.

5º - Neste momento, em Portugal não há nenhuma lei relativamente à pirataria informática (pelo menos explícita) e em que base se suporta, ou que diferenças existem entre consumo próprio ou para venda.

Da mesma maneira que não há qualquer precedente de tal situação.

Todos aqueles anúncios no cinema, nunca deram em nada nem nunca ninguém foi preso.

Eram só campanhas!

6º - Se estivessem a infringir alguma lei, acham que seriam enviadas cartas para pararem com os downloads e a serem convidados a pagarem de livre vontade?

Também ninguém manda cartas a um ladrão para parar de roubar no metro e entregar-se na esquadra mais próxima, ou a um assassino para parar de matar os vizinhos com a caçadeira, e para se dedicar à agricultura.

É absurdo! Se neste país nem uma pessoa que viola crianças vai presa, quanto mais nós que nos recusamos a pagar multas!

Tirar músicas da Internet dá multa até 5000 euros.

E andar a 120km/h dentro de uma localidade dá 500 euros? Passar um sinal vermelho menos que isso? Desencadear um acidente em cadeia na auto-estrada porque se bebeu demais fica-se sem carta? Acham justo?

Tirar músicas da Internet é que é mau para a sociedade, e os perigosos somos nós, não?

7º - Recentemente em França foi aberto um processo pelas indústrias e editoras similar a este, e até foi feita uma petição em tribunal para ser criada uma lei que punisse quem fizesse downloads da Internet.

No entanto, o Juiz recusou-se alegando que se estaria a violar a divulgação cultural.

Temos o direito de experimentar o produto antes de o comprar, ou não?

8º - Quem acham que perde com isto tudo? O terror instala-se, as pessoas começam a parar de fazer downloads, e a Internet em casa passa a ser usada para ver páginas e ler o e-mail.

Quem precisa de grandes velocidade para isso?

Ninguém...assim os consumidores começam a cancelar a Internet, ou a passar para uma mais barata.

E quem sofre?

O fornecedor de Internet.

9º - Há vários cantores e grupos de música nacionais que culpam a "pirataria" das baixas vendas que os seus álbuns conseguem no mercado.

Esta é a lista de vários artistas que lutam contra a pirataria:

  • Ágata,
  • Agrupamento Musical Diapasão,
  • Aldina,
  • Alfredo Vieira de Sousa,
  • Ana Moura,
  • António Cunha (Uguru),
  • António Manuel Ribeiro,
  • António Manuel Guimarães (Magic Music),
  • Banda Lusa,
  • Blasted Mechanism,
  • Blind Zero,
  • Bonga,
  • Boss AC,
  • Camané,
  • CantaBahia,
  • Carlos do Carmo,
  • Carlos Maria Trindade,
  • Carlos Tê,
  • Clã,
  • Cristina Branco,
  • Da Weasel,
  • Danae,
  • David Fonseca,
  • Dealema,
  • Delfins,
  • DJ Vibe,
  • Dulce Pontes,
  • Emanuel,
  • Expensive Soul,
  • Fernando Rocha,
  • Filipa Pais,
  • Fingertrips,
  • FNAC,
  • GNR,
  • Gutto,
  • Iran Costa,
  • Íris,
  • Jaguar Band,
  • João Afonso,
  • João Gil,
  • João Monge,
  • João Pedro Pais,
  • João Portugal,
  • Jorge Cruz,
  • Jorge Palma,
  • José Mário Branco,
  • Liliana,
  • Lúcia Moniz,
  • Luís Cília,
  • Luís Represas,
  • Luísa Amaro,
  • Mafalda Veiga,
  • Manuel Faria,
  • Manuel Freire,
  • Manuel Paulo,
  • Mão Morta,
  • Marante,
  • Maria João&Mário Laginha,
  • Mário Fernandes,
  • Mariza,
  • Ménito Ramos,
  • Mesa,
  • Miguel&André,
  • Miguel Guedes (em nome individual),
  • Mind da Gap,
  • Místicos,
  • Mónica Sintra,
  • Paula Teixeira,
  • Paulo Ribeiro,
  • Pedro Abrunhosa,
  • Pedro Ayres Magalhães,
  • Pedro Oliveira,
  • Pedro Osório,
  • Quatro Cantos,
  • Quim Barreiros,
  • Quinta do Bill,
  • Rádio Macau,
  • Rita Guerra,
  • Rodrigo Leão,
  • Rosita,
  • Rui Bandeira,
  • Rui Veloso,
  • Santamaria,
  • Sérgio Godinho,
  • Teresa Tapadas,
  • The Gift,
  • Toranja,
  • Toy,
  • Tozé Brito,
  • UHF,
  • Vitorino,
  • Wraygunn,
  • Xutos e Pntapés,
  • X-Wife e
  • Zé Peixoto.

Por favor, e peço-vos que metam a mão na consciência: Quem é a pessoa com com alguma inteligência que se vai a meter a fazer download de músicas da Ágata? Ou da Rosita? Ou do Agrupamento Musical Diapasão? Ou pior, do Iran Costa?

10º - Ora vejamos:

Fim da Pirataria –> Menos Utilizadores da Internet –> Choque Tecnológico por água abaixo –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> Menos Utilizadores da Internet –> Menos lucros dos ISP's –> PT apresenta prejuízo -> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> Aumento dos Processos que se acumulam nos tribunais –> Justiça mais lenta –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu

Fim da Pirataria –> As pessoas não vão comprar Cd's só porque a pirataria "acaba" ou diminui podendo mesmo criar uma certa "revolta" contra as editoras e afins –> O povo começa a cagar para os artistas –> Menos lucros para editoras e artistas –> Mundo da música e não só com dificuldades –> Portugal país cada vez mais atrasado a nível europeu


Continuamos...?

11º - Ok, concordo que os direitos de autor têm que ser protegidos.

Mas não concordo que um simples CD de música cujo custo de fabrico ronda 1 euro, seja vendido por 15/20 euros, em que apenas cerca de 2 euros vão para os artistas.

E ainda têm a lata de chamar piratas a nós?

12º - Concluindo, não se deixem vencer pelo medo.

Não digo para olharem para o lado caso recebam essas cartas, mas sim que se informem e que pesquisem as maneiras legais de se fazer o correcto.

Informem e mantenham-se informados, pois basta haver um decréscimo dos utilizadores deste tipo para essas empresas pensarem que podem fazer tudo e que podem ganhar.

Eu posso considerar-me culpado, mas sou culpado, não por fazer downloads de musicas e filmes mas pelo facto de fazer parte da classe média que mal tem dinheiro para pagar a renda de casa, e ainda faz um sacrifício enorme em pagar 60€ pela Internet, mais não sei quantos euros pela tvcabo, mais não sei quantos euros pelo telefone, mais não sei quantos euros pela assinatura mensal do telefone, e de trabalhar de sol a sol.

Mas NÃO SOU CULPADO, pelos roubos de ministros, deputados, e administradores de empresas estatais, pelos buracos financeiros que causaram a empresas estatais.

NÃO SOU CULPADO, pelo buraco financeiro em que o pais se encontra, e muito menos pelo valor do défice 6,8.

Agora só vos peço para levarem a vossa vida atrás do computador calmamente, não castiguem os vossos filhos por algo que não estão a fazer, e acima de tudo, divulguem toda esta informação, para que essas empresas que vêm do estrangeiro, não pensem que somos uma cambada de saloios e que nos podem meter medo! "

05 abril 2006 

SIMPLEX 2006

Ora pois bem, cá vai mais um "outro comentário", agora sobre mais uma medida do "nosso" governo.

Antes de mais, só deixar um pensamento, que se isto continua com este ritmo, por questões de agenda, não irei conseguir explicar ou opinar sobre outros assuntos, o que, gostaria de fazer.

Mas indo de encontro ao tema.

Tive o "prazer" de ler, ainda que não todo, um bom bocado do SIMPLEX (para os mais distraídos, ou menos interessados aqui fica o link para o documento).

E sendo eu da área de sistemas de informação, já há uns bons anos, modéstia à parte, é, no mínimo frustrante, ver que, e por experiência profissional, um trabalho deste tipo, que deve ter consumido bastantes recursos, e para chegar à conclusão de coisas tão simples.

Eu, na minha pequenina insignificância, já não consigo perceber, e podem dizer à vontade que é por não querer ou não ter que, como é possível, nos tempos de hoje, se quiser aceder a um simples papel (papel, qual papel. Haaaa o papel), ter de me deslocar a um qualquer espaço físico, para na maioria dos casos, à posteriori proceder ao seu preenchimento, e ter de voltar ao ponto de partida para o entregar.

Não consigo perceber, mas quando isto me afecta directamente, fico irritado (é claro que fico irritado), e parto à partida com um mau feitio, que se por azar o Sr. funcionário público, não tiver um bocadinho de paciência (a ciência da paz) para me aturar, vai dar um daqueles espectáculos que, infelizmente, todos conhecemos nos serviços públicos.

Não é que me considere uma pessoa belicosa ou implicativa, mas a ciência da paz, infelizmente, também tem limites, principalmente em coisas tão básicas.

É que estamos a falar de perder tempo, o que por si só já é mau, mas estamos a falar também de incómodos, deslocações, dinheiro, ou seja, estamos a falar fundamentalmente de toda a nossa saúde, quer física, quer mental, quer social.

Mas com ia dizendo, é impressionante ver que foi necessário “perder” tempo, por parte dos eleitos, entenda-se, para averiguar um conjunto, ao todo 333, de medidas, que se os chefes de serviços quisessem realmente fazer, pelo menos, o seu serviço, bem feito, já teriam chegado a essas conclusões.

Rectifico (pois é para isso que eles lá estão) se quisessem, pelo menos, fazer aquilo que lhes compete, nomeadamente atender o cidadão, e entenda-se por atender, que é atender bem, ou seja, resolver a razão da deslocação do cidadão aquele espaço, e já não digo nem quero utilizar a ideia empresarial, de marketing ou economicista de “satisfazer o cliente”.

Também pela experiência profissional, sei reconhecer que o trabalho que foi feito era realmente necessário (é pena que venha tarde), pois nada, ou muito pouco, existia, e que com os líderes da “nossa” oposição politica actual, que temos e que acabam por fazer uma oposição sem nexo e demagoga, assim como a comunicação social (que intitulando-se de ser o 7º órgão de poder) não houve outra maneira de “dar a conhecer” ao mero cidadão as referidas medidas, a não ser com todo este folclore, com que já começamos a ficar habituados.

Para concluir, ainda bem que “inventaram” (se é que se pode voltar a inventar a roda) este simplex, que entre em vigor rapidamente, fico (ou melhor ficamos) a aguardar que este simplex evolua e que possamos, dentro em breve, deixar somente de ter os impressos on-line e que possamos começar a entrega-los, isso sim, on-line.

03 abril 2006 

PRACE - Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado.


Nos nossos mundos de hoje, qualquer que seja a reorganização que se queira levar a cabo, a mesma está, do ponto de vista teórico, automaticamente justificada.

Ou seja, se quisermos proceder a uma remodelação em que visamos a reestruturação com um ponto de vista (minimizado) de responsabilização e definição clara das competências, descentralizamos e criamos estruturas, ou melhor, aplicamos o velho ditado "de cada macaco no seu galho".

Se, por outro lado, quisermos ter a "nova" visão das coisas em que as sinergias e a chamada economia de escala seja para funcionar, vamos obviamente reestruturar com base na fusão da estrutura, também, em princípio, e segundo as teorias, deixando claras as competências e responsabilidades.

Aquando à uns tempos passei pelo ICEP/IAPMEI, num projecto de consultadoria, era visível o esforço que aquele(s) institutos estavam a fazer para conseguir aquilo que hoje achamos que é normalíssimo, nomeadamente, ter um só departamento que gerisse, entre outros exemplos que poderia aqui mencionar, o imobilizado, pois era coisa que cada unidade orgânica geria por si, gerando obviamente uma duplicidade de critérios incrível e levando a uma falta de estratégia global do(s) instituto(s) que provocava, pelo menos na minha maneira de ver, uma confusão brutal, nomeadamente, e também a mero titulo de exemplo, na contractualização de serviços básicos de manutenção.

Também consegui averiguar que tal acontecia porque as necessidades, de aquando estavam separados, eram efectivamente diferentes, ou melhor, com a dispersão geográfica, as necessidades daquele imobilizado era diferente no tempo e na forma, e assim só quem estava no seu local poderia ter a real percepção do que era efectivamente necessário.

Nos dias de hoje, e com as necessidades efectivas que Portugal atravessa, acho que é realmente necessário que a reestruturação passe por criar sinergias para aplicar uma economia de escala.
Há que, cada vez mais, ter uma visão supra estratégica, de macro gestão, que leve à "inter-gestão", ou seja, que tenha como base, por exemplo, a gestão inter-municipal, inter-departamental, inter-organizacional, inter-, inter-, inter-. Pois só assim conseguiremos caminhar todos, a uma só voz, e com o mesmo objectivo.

Mais que não fosse, por esta minha ordem de ideias, este conjunto de medidas agora lançadas, o PRACE, parece-me bem.